margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ENREDADA

Lancei as redes à vida

para a vida me encantar,

mas os perigos foram tantos

que lancei as redes ao mar…

o mar foi tão traiçoeiro,

que me tentou afogar

num mar de pranto e de dor

arrastando-me pela vida

enredada em desamor…

Lancei as redes ao vento

na busca da minha estrela,

fui perscrutando o firmamento

com ânsias de adivinhar

onde pára a paz no mundo?

onde se esconde a verdade?

a mão firme? um meigo olhar?

Lancei as redes à vida…

lancei as redes ao mar…

lancei as redes ao vento…

e acabei enredada

sem forças para lutar!


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

PORQUÊ? PARA QUÊ?

(GUERRA-técnica mista sobre cartolina)

Tenho hoje o coração
de luto
e sofro
com tanta crueldade.
Interrogo-me
perante este jogo
de imolar-se...
e matar inocentes
sem dó nem piedade.
Tenho hoje os olhos
abertos
e vidrados
de espanto e horror.
Que insanidade!
Caminho
sem saber por onde
tal como
a humanidade.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

NOITE SEM ESTRELAS

"Espaço celeste "( pastel óleo e acrílico sobre papel)

Ao cair da noite

estendo o lençol da preguiça

sobre a cama entreaberta.

Deixo que o meu corpo

se inunde da morna mansidão

da luz coada do candeeiro.

Como me aconchega a ternura

da chuva na vidraça!


É bom enroscar o corpo

e sentir as coxas sobre os seios,

abraçar as pernas dobradas,

o rosto a tocar os joelhos, em compressão.

Depois o desenrolar,

o distender o tronco,

os braços, as pernas,

os olhos cerrados a sentir, leve, a respiração.

Cubro-me com o lençol da preguiça

ao cair da noite.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

LAMENTO

Deixo correr as horas e os dias

neste embalo de sonho feito de nada.


Se eu pudesse iluminar as minhas noites

de solidão com as palavras que não disse,

com o afago que não fiz…


Se eu pudesse esquecer o beijo que não deste…

o mel dos teus olhos derretidos…

e as magras perguntas e respostas

que trocámos com fingida indiferença...


Recordo os encontros e desencontros

nas voltas compassadas.

Um calor de braseiro no rosto

que me descia ao corpo.

As mãos húmidas de vidro,

tal como os nossos olhos

onde espelhava o lume.


No silêncio comprido da noite

de ontem, de hoje, de amanhã,

sinto a fragrância do teu corpo a envolver-me

e perco-me em sonoridades de pura fantasia.

Ah! Como eu lamento não termos desatado

os laços da nossa cobardia!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

FOGOS


(técnica mista sobre papel)

No meu país pegou a "moda" dos incêndios na época estival. Estes três trabalhos são a forma de me solidarizar com as famílias vítimas dos pirómanos que continuam "à solta".