margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NA BERMA DA ESTRADA

Como ébria

caminhei pela estrada

sob o sol quente

de um Setembro ardente

e senti-me cansada.


A estrada era longa

não era longa a caminhada.

O sol atordoou-me

e o calor abrasou-me.

Parei,

molhei os pés na represa

porque estava suada.

A cabeça às voltas

senti-me pesada

e sentei-me à sombra

numa pedra dura

na berma da estrada.


Um raio de sol

reflectiu na água

cristalina e pura

uma luz intensa,

e doeram-me os olhos

e doeu-me a cabeça.


As águas vão deslizando mansamente

o cansaço de uma tarde de Setembro.


E como estava só

na berma da estrada

e ao pé da água,

uma tal lassidão eu senti,

que fechei os olhos

e adormeci.


O MEU FILME

Nitidamente… com constância…

perpassa numa grande tela

o caminho da minha infância

sombreado pela folhagem ondulante

dos coqueiros…


Paira um perfume na ponta da ilha

vindo do mar…

das palhotas…

do caril…

da mandioca…


O sol tropical trespassa

as flores das acácias rubras.

O branco rodado do meu vestido

de menina…

tingiu-se de rosa vivo.


E o embondeiro gigante

tecendo cordas…

construindo pontes e cavernas…

um tanto informe e misterioso…

estende-me um abraço

largo,fecundo,majestoso…


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ENGRENAGEM

Enjeito toda a forma de engrenagem

Para enrolar a vida,

Já de si tão tensa e confusa

Quanto apodrecida.


Repudio a falta de ética

Que rege tantas vidas

De gente que cada vez mais

Trepa patamares sem conta nem medida.


Recuso a vilania por aí instalada,

Onde uns têm tudo…outros nada,

Sendo triturados numa roda dentada.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

EXPERIÊNCIAS ESPACIAIS

(Técnica mista sobre papel)

Hoje ofereço-vos um trabalho colorido e cheio de movimento. Deixem-se levar em "Experiências Espaciais" e sejam felizes!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NOCTURNO

No seio da noite

Ouve-se o mocho a piar.

A coruja na torre

E um cão ao longe

Muito longe nos quintais

A uivar.


No riacho de águas

Negras, banhadas de luar,

Ouve-se de quando

Em quando as rãs

A coaxar.


E nos pinhais

Que o vento faz chiar,

A ramaria zomba

Da noite e do som

Lúgubre que sai

Da terra.


E o homem na choupana

Tremendo de medo

Não se atreve

A contemplar a noite,

Uma noite de luar.


sábado, 3 de setembro de 2011

COMPOSIÇÃO EM LEQUE

(acrílico sobre papel)

Hoje, resolvi deixar-vos apenas uma imagem a acrílico aguado na base do trabalho e acrílico empastado.Usei o pincel em forma de leque e... fui pincelando... Eis o resultado! Gostaram?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DONA CORROSIVA

Surge mansa

Com garras pintadas de veludo.

Um sorriso aberto

Escondendo tudo

O que de ruim

Guarda no seu peito.


Insinuante a postura,

Falsa voz adocicada,

Encobrindo o veneno

De víbora amestrada.


Em tempo breve cai

A máscara seráfica

E a verdade vem à tona.

E não há quem suporte

O nariz empinado

De tal dona.


A semear conflitos e maldades,

A devota de fachada,

Assim vai passando pela vida.

Dorme como um anjo

E vai medrando

Anafada e corrosiva.