
Como ébria
caminhei pela estrada
sob o sol quente
de um Setembro ardente
e senti-me cansada.
A estrada era longa
não era longa a caminhada.
O sol atordoou-me
e o calor abrasou-me.
Parei,
molhei os pés na represa
porque estava suada.
A cabeça às voltas
senti-me pesada
e sentei-me à sombra
numa pedra dura
na berma da estrada.
Um raio de sol
reflectiu na água
cristalina e pura
uma luz intensa,
e doeram-me os olhos
e doeu-me a cabeça.
As águas vão deslizando mansamente
o cansaço de uma tarde de Setembro.
E como estava só
na berma da estrada
e ao pé da água,
uma tal lassidão eu senti,
que fechei os olhos
e adormeci.





