margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

HOMENAGEM A JÚLIO RESENDE


(tinta da china s/ cartolina)

JÚLIO RESENDE
Grande mestre da pintura, nascido no Porto, faleceu hoje em Valbom com 93 anos de idade.
Foi um artista multifacetado e deixa uma grandiosa obra; os painéis "A Ribeira Negra" junto ao tabuleiro inferior da ponte de D. Luís I na cidade que o viu nascer, é sem dúvida a sua obra mais mediática. Este trabalho, que publico hoje, é a minha singela homenagem.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

GRITO DE RAIVA

Como dói a dor sofrida

na solidão

Sem astros sem guias

sem ombro amigo

sem afago de mãe


Como o medo tece torturas

infinitas

Sem sono sem estrelas

num leito articulado e branco

engolindo mistelas


Como corre o olhar

sobre as horas

Como lateja o coração

nos pulsos

Como os sonhos povoam

um corpo mutilado

que tenta arrancar harmónica beleza

num leque de cicatrizes


Como dói morder o grito de raiva

na crispação fria dum sorriso

procurando encontrar

em cada esquina da vida

um paraíso


"BOUQUET"

Publico hoje uma aguarela e tinta da china sobre papel

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ESPELHO

Como bago de uva madura…

Como lágrima de sangue ardente…

Como cereja rubra de luxúria…

Como bola de fogo flamejante…

Como bóia de salvação afogada

Num imenso espelho azulíneo

Se olha

Se banha

Se rebola

Se transfigura

Se adoça

Se reveste

Se ri…

Para si



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MARINA EM FESTA


Deixo-vos hoje duas fotos tiradas na foz do rio Ave.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NA BERMA DA ESTRADA

Como ébria

caminhei pela estrada

sob o sol quente

de um Setembro ardente

e senti-me cansada.


A estrada era longa

não era longa a caminhada.

O sol atordoou-me

e o calor abrasou-me.

Parei,

molhei os pés na represa

porque estava suada.

A cabeça às voltas

senti-me pesada

e sentei-me à sombra

numa pedra dura

na berma da estrada.


Um raio de sol

reflectiu na água

cristalina e pura

uma luz intensa,

e doeram-me os olhos

e doeu-me a cabeça.


As águas vão deslizando mansamente

o cansaço de uma tarde de Setembro.


E como estava só

na berma da estrada

e ao pé da água,

uma tal lassidão eu senti,

que fechei os olhos

e adormeci.


O MEU FILME

Nitidamente… com constância…

perpassa numa grande tela

o caminho da minha infância

sombreado pela folhagem ondulante

dos coqueiros…


Paira um perfume na ponta da ilha

vindo do mar…

das palhotas…

do caril…

da mandioca…


O sol tropical trespassa

as flores das acácias rubras.

O branco rodado do meu vestido

de menina…

tingiu-se de rosa vivo.


E o embondeiro gigante

tecendo cordas…

construindo pontes e cavernas…

um tanto informe e misterioso…

estende-me um abraço

largo,fecundo,majestoso…