
Corpo aceso
habitado de mil fogos
saturados de rubro.
Corpo leve
na floresta densa
dos sentidos cegos de luz.
Corpo aberto
voluptuosamente húmido
na nudez desse ceptro.
Flor
Paixão
Lume
Esplendor
Visão
Sede
D’amor.

Corpo aceso
habitado de mil fogos
saturados de rubro.
Corpo leve
na floresta densa
dos sentidos cegos de luz.
Corpo aberto
voluptuosamente húmido
na nudez desse ceptro.
Flor
Paixão
Lume
Esplendor
Visão
Sede
D’amor.

Cai a noite…
Escuta-se o silêncio
por entre as vielas.
O candeeiro
semeia um pouco de luz.
Cai a noite…
Às esquinas abrem-se sombras
projectadas em lajedo irregular.
Cai a noite…
A abóbada cheia de graça
e grávida de luar
mostra-se ao rio vestido de negro
que ali, a seus pés passa…
Vila do Conde, 9 de Outubro 2011


Um coração fechado
Guarda os meus anseios…
Uns olhos alados
Escondem esperanças…
Uma boca sequiosa
Selada por uma flor risonha…
Os cabelos esvoaçando ao vento
Como um véu de cambraia...
Soltam-se
Enrolam-se
Colam-se
À pele, à boca, aos olhos…
A flor é o que me resta
Da primavera de abrolhos!

Neste recanto de rio manso
encontro-me na companhia da minha solidão.
Apenas o leve roçar da folhagem
sobre a cabeça…
o chilrear dos pássaros…
e o sussurro deslizante das águas…
me chama à razão.
Aqui se me avivam memórias
de um passado longínquo de sofrimento,
de um passado recente de incompreensão,
de um presente interrogado pelo desgaste das horas.
Aqui a árvore não morrerá de pé,
mas sim, serenamente, no leito aquoso
onde mergulha raízes e ramos.
A seu lado limpo-me do fel de cada dia,
lavo-me de mágoas
e busco serenidade…
ainda que salpicada de melancolia.