margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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sábado, 15 de outubro de 2011

ESPLENDOR


Corpo aceso

habitado de mil fogos

saturados de rubro.


Corpo leve

na floresta densa

dos sentidos cegos de luz.


Corpo aberto

voluptuosamente húmido

na nudez desse ceptro.


Flor

Paixão

Lume

Esplendor

Visão

Sede

D’amor.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

NATUREZA MORTA

Deixo-vos hoje um trabalho realizado há já algum tempo...


(natureza morta sobre papel - pastel seco)

domingo, 9 de outubro de 2011

SEMENTES DE LUZ


Cai a noite…

Escuta-se o silêncio

por entre as vielas.

O candeeiro

semeia um pouco de luz.

Cai a noite…

Às esquinas abrem-se sombras

projectadas em lajedo irregular.

Cai a noite…

A abóbada cheia de graça

e grávida de luar

mostra-se ao rio vestido de negro

que ali, a seus pés passa…


Vila do Conde, 9 de Outubro 2011


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PARA TRÊS SENHORAS





Por um mundo mais humano, igualitário e mais feliz!

A minha homenagem às três senhoras distinguidas com o prémio Nobel da Paz.

Fui à minha estufa e fotografei a orquídea que nesta altura está florida.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A FLOR


Um coração fechado

Guarda os meus anseios…


Uns olhos alados

Escondem esperanças…


Uma boca sequiosa

Selada por uma flor risonha…


Os cabelos esvoaçando ao vento

Como um véu de cambraia...

Soltam-se

Enrolam-se

Colam-se

À pele, à boca, aos olhos…


A flor é o que me resta

Da primavera de abrolhos!



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

NA SOLIDÃO DAS HORAS


Neste recanto de rio manso

encontro-me na companhia da minha solidão.

Apenas o leve roçar da folhagem

sobre a cabeça…

o chilrear dos pássaros…

e o sussurro deslizante das águas…

me chama à razão.


Aqui se me avivam memórias

de um passado longínquo de sofrimento,

de um passado recente de incompreensão,

de um presente interrogado pelo desgaste das horas.


Aqui a árvore não morrerá de pé,

mas sim, serenamente, no leito aquoso

onde mergulha raízes e ramos.


A seu lado limpo-me do fel de cada dia,

lavo-me de mágoas

e busco serenidade…

ainda que salpicada de melancolia.



domingo, 2 de outubro de 2011