
Que é feito do meu corpo
que com amor e com arte,
suave, serena e lentamente
se desenvolveu em equilibrada harmonia?
Um corpo talhado
com todos os toques,
com todos os dados,
com papel aveludado
e laçarote condizente.
Não é mais o mesmo.
Tento fugir-lhe mentalmente
e esquecer-me que existe.
Por dentro restou
um pouco do que eu era
mais o pouco que sou.
Assim transformado
se esfumaram quimeras.
O meu eu hoje se reparte
pelas aulas de Francês
e pela arte.
Pinto, escrevo e às vezes danço.
Quero esquecer o meu corpo
e sonhar um outro ausente.
Não sou mais como era dantes,
vivo o presente num rodopio pegado,
corro para todo o lado
para olvidar como estou,
neste estranho desconforto
de embalar o meu corpo
num sonho do que não sou.







