margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O QUE RESTA DE MIM

Que é feito do meu corpo

que com amor e com arte,

suave, serena e lentamente

se desenvolveu em equilibrada harmonia?


Um corpo talhado

com todos os toques,

com todos os dados,

com papel aveludado

e laçarote condizente.


Não é mais o mesmo.

Tento fugir-lhe mentalmente

e esquecer-me que existe.


Por dentro restou

um pouco do que eu era

mais o pouco que sou.

Assim transformado

se esfumaram quimeras.

O meu eu hoje se reparte

pelas aulas de Francês

e pela arte.

Pinto, escrevo e às vezes danço.


Quero esquecer o meu corpo

e sonhar um outro ausente.

Não sou mais como era dantes,

vivo o presente num rodopio pegado,

corro para todo o lado

para olvidar como estou,

neste estranho desconforto

de embalar o meu corpo

num sonho do que não sou.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

REMINISCÊNCIAS AFRICANAS

(pormenor de Reminscências Africanas )


(Técnica mista s/ papel 32X23)

Vivi a minha infância e parte da adolescência em Moçambique. Penso que trouxe comigo cores e odores desse mundo tão diverso banhado pelo Índico...


sábado, 3 de dezembro de 2011

JANELAS RASGADAS


Da janela rasgada das minhas águas-furtadas

alcanço um pouco de mar.

Em dias de vendaval venho espreitar as ondas,

que em lençóis alvos de espuma se enrolam

trazendo fados marinheiros

cantados pelos veleiros que se vão…a navegar.


Às vezes, ao sol poente tudo fica incandescente

com laivos de beleza singular.

Oiço então a passarada irrequieta

em constante chilrear.


Olho pela outra janela

e tenho na frente dela a campina verdejante,

debruada adiante por um sombrio pinhal.

E no silêncio da tarde há recordações a esmo

plenas de nostalgia.


Nas minhas águas-furtadas onde nasce a poesia,

Entra o sol e o luar…abunda a luz e a sombra…

As minhas águas-furtadas, meu refúgio de eleição!

Quatro paredes caiadas

Onde canto toda a minha solidão…


terça-feira, 29 de novembro de 2011

AS CORES DO CAMPO

(cera e ecoline sobre papel - 32X22)

QUEIMADA
(aguarela e tinta da china sobre papel - 59X50)

Gosto de fazer experiências com tintas e diferentes materiais. Descontrai-me e há um enorme prazer na observação do comportamento dos vários elementos sobre o papel.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

VERDE-VERMELHO


Verde é o mar

As algas os sargaços

Verde é a vinha

O pinhal o pomar jovem

Verde é o amor

Ao nascer nos teus braços

Nas manhãs frescas d’Abril

Verde é o teu olhar

Verde de cansaços

E de ternuras mil


Verde-musgo

Verde-folha

Verde-mar

Verde verde verde

Verde a esperança


Verde-limão

Verde-mar

Verde-amar


Vermelho é o fogo

As papoilas e o sol poente

Vermelho é o sangue

E a terra no estio quente

Vermelho é o amor

Quando maduro

Vermelho o mais lindo botão

Reflectido no teu olhar

Cintilante de desejo

Doce e duro


Vermelho-escuro

Vermelho-fogo

Vermelho-dor

Verde-vermelho vermelho-verde

Quente e frio


Vermelho-vivo

Vermelho-dor

Vermelho-amor


terça-feira, 22 de novembro de 2011

DESEJO


Soltam-se-me as palavras

ao vento, em remoinho,

e voam como flamingos

sobre as árvores nuas.


Reclamam justiça

contra a ambição sem freio.

Procuram fraternidade

no meio da podridão.

E, neste deserto povoado de egoísmo,

onde abunda a insensatez, clamam:

- o fim da violência

- o fim da corrupção.


Pois que caia a máscara de vez.

Soltam-se-me as palavras…


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ONDE O MAR É QUENTE


Lá longe
onde as areias escaldam
e onde o mar é quente
rente à costa

Lá longe
onde entre os pequenos grãos de sílica
se acham missangas
coloridas
recortadas
redondas
furadas
compridas

Lá longe
onde os peixes passeiam delicadamente
vistosos
vaidosos
dançando ao sabor da corrente

Lá longe
onde o mar é quente