As estrelas uma a uma,
cobriram-se com o véu da aurora
e sumiram-se no espaço.
A lua azul deixou que o sol
amanhecesse no seu regaço.
E as nuvens vadiamente
passeavam-se de espanto e de cansaço.
No planeta, as pedras abriram os
olhos,
as árvores, as bocas famintas de
luz.
E por todo o lado as flores
desceram,
fizeram uma roda e dançaram,
deixando os caules nus.
Pelas escadas do céu, degrau a
degrau,
estavam aves penduradas
soltando cânticos de magia.
E no coração dos mares,
peixes vestidos de amarelo e
negro,
de vermelho-sangue e
azul-turquesa,
devoravam poesia.
E os deuses imperfeitos cantavam
em silêncio,
bendizendo este pântano de sonhos
profundos, subtis e às vezes
perfumados.
E em sinal de amor,
todos os bichos da terra deram as
mãos de cristal,
fizeram uma corrente de aço e
destruíram a guerra.















