margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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sexta-feira, 1 de março de 2013

RASGOS DE LOUCURA



Tempo de mais escondi
os meus versos na gaveta.
Por vergonha,
triste e cândida.

Guardei-os como quem guarda
um tesouro,
em solidão avara.

Céus e terra conjugados
abateram-se sobre mim
em triturações violentas.

Duas mortes anunciadas…lentas…
Embaciados os olhos.
Enegrecido o coração.

Depois a minha vez.
Visitou-me um mal dilacerante
e quase sucumbi.
Afogada no sal das lágrimas
o tempo foi passando…
Por fim amanheci.

Fiz terapia na cor e na poesia
com rasgos de loucura.
Aliviada a dor e a sede de ternura,
recusei esconder-me por mais tempo
como alguém que cava em vida
a própria sepultura.

 Maria Emília Costa Moreira

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

EXPERIÊNCIAS


 (cera e ecoline s/ papel 33x23) rep.



O tempo é um sopro
quando sobre o papel me debruço
na mistura das tintas.

Deleito-me com o derramar da cera
e mergulho na rejeição das aguarelas.

Sobre a textura branca e rugosa
inicia-se uma fusão, uma dança de cores,
um nascer de formas complexamente simples,
que no papel se fixam, caprichosas.

Súbito, surgem redondos de espanto:
Três sóis…três luas…três rosas…



(cera e ecoline s/ papel 33x23)

Quando realizei esta série de trabalhos de pequeno formato,normalmente trabalhava 3 ou 4 em simultâneo.
Utilizei cera de vela que derreti e lancei sobre o papel de aguarela de forma aleatória. Depois com o papel humedecido fui aplicando as ecolines. Gostei do produto final!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SINAIS








As estrelas uma a uma,
cobriram-se com o véu da aurora
e sumiram-se no espaço. 

A lua azul deixou que o sol amanhecesse no seu regaço.
E as nuvens vadiamente passeavam-se de espanto e de cansaço.

No planeta, as pedras abriram os olhos,
as árvores, as bocas famintas de luz.
E por todo o lado as flores desceram,
fizeram uma roda e dançaram,
deixando os caules nus.

Pelas escadas do céu, degrau a degrau,
estavam aves penduradas
soltando cânticos de magia.

E no coração dos mares,
peixes vestidos de amarelo e negro,
de vermelho-sangue e azul-turquesa,
devoravam poesia.

E os deuses imperfeitos cantavam em silêncio,
bendizendo este pântano de sonhos
profundos, subtis e às vezes perfumados.

E em sinal de amor,
todos os bichos da terra deram as mãos de cristal,
fizeram uma corrente de aço e destruíram a guerra.




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ESTUDO


(lápis  s/ cartolina 65x50) rep

AMBIÇÃO

Tanto queria crescer
na arte
de cruzar as cores
com o pincel
de as enredar nas telas
ou no papel…

Tanto queria saber
usar o carvão a preceito
de debuxar com jeito…

Tanto queria ter
tempo de sobra
para ver caminhar
passo a passo
a minha obra…

Rio da Fonte, 9 Julho 2001
Maria Emília Costa Moreira

 Fiz este estudo a partir de um cartaz de Vieira Portuense.Quem foi este pintor?
Vieira Portuense, nome artístico de Francisco Vieira, nasceu no Porto a 13 de Maio de 1765 e faleceu no Funchal, Ilha da Madeira a 12 de Maio de 1805, com 39 anos apenas, vitima de tuberculose. 
Foi um grande pintor da sua geração. Iniciou-se no desenho e pintura na cidade natal e logo continuou os seus estudos em Lisboa e depois em Roma. Viajou e contactou outros artistas e participou em exposições, não só em Itália como na Alemanha, Áustria e Inglaterra.
 Em Portugal está representado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
                                                         
                                                        

                                                         

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

LÍRIOS ROXOS




(acrílico aguado  sobre papel   40x30) rep.


Gosto dos lírios roxos
da transparência do seu sacrário
da trilogia sinuosa abrindo-se
como lágrimas caindo
e do abraço dos três braços

Gosto dos lírios roxos
espalhados pelas sebes nos quintais
e do seu olhar misterioso e macio
orvalhado de estranhos rituais

Gosto dos lírios roxos
como veias transparentes de fino recorte
gosto da mística verticalidade do seu porte




Rio da Fonte, 29-8-1998

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

UM PAR e UMA OFERTA



Esta foi uma das minhas primeiras experiências com lápis de cera, acrílico aguado e tinta da china sobre cartolina  60x50 


Fiz este trabalho no computador já faz tempo...resolvi acrescentar-lhe o texto e deixa-lo aqui para quem o quiser levar. Penso que terei  de estar ausente por causa dos estragos que o mau tempo me provocou em casa. O meu abraço a todos. Sempre que tiver um tempinho irei visitá-los.

sábado, 12 de janeiro de 2013

MARGARIDAS À JANELA




(Acrílico e lápis de cera s/ cartolina  50x65)rep

 SEMENTES

O canteiro onde depus
As sementes dos meus versos,
Floriu com a ternura dos meus dedos.
Mesmo quando o astro rei não brilha,
As  anémonas e as margaridas tão singelas
Abrem as suas janelas, sem medos,
Ostentando uma beleza irreal.

Olho com espanto a maravilha
Desse reino de escrita vegetal,
Que em mim produz efeitos de acalmia.
É aqui, que busco na solidão,
Depois de um dia farto
E de exaustivo burburinho:
Paz para o coração
E pão para o caminho.


Rio da Fonte, 20 de Maio 2001