margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

BAILARINAS de DEGAS (estudo)



( pastel óleo s/ cartolina amarela 80x60)
  
Edgar Degas (1834 – 1917)
Nasce em Paris no seio de uma família abastada. Sofre as influências dos grandes movimentos estéticos do seu tempo, realismo e impressionismo, embora tenha mantido uma certa independência e seguindo as suas próprias ideias.
Estuda em Paris e mais tarde em Roma. Viaja pela Itália e visita museus.
Em 1853 regressa a Paris e continua a sua formação. Inscreve-se como copista no Museu do Louvre. Tinha uma máxima: “É preciso copiar e recopiar os mestres…
A sua obra é vasta. Executa retratos, um dos seus óleos mais famosos encontra-se no Museu d’Orsay em Paris – L’Absinthe; quadros históricos, paisagens, jóqueis e bailarinas.
Degas fica conhecido especialmente pela série de obras cujo tema é o “ballet”.
“ O pintor não negligenciou o duro trabalho que a dança requer. Ele revela a deterioração causada por este trabalho assalariado que parece tão fácil. Degas mostra o treino, o tédio e o desgosto das bailarinas, chupadas, exaustas pelo treino…”
Informações recolhidas no livro de Bernd Growe -  Taschen

Por que razão vos falo hoje de Degas? Simples.                                                                        
Há já um mês assisti ao bailado “Giselle” pelo Russian Classical Ballet no  Cine Teatro  de Vila do Conde. Fiquei maravilhada! Lembrei-me de Degas.
Ora…seguindo a máxima do pintor, quando frequentei aulas de desenho e pintura, também eu copiei os mestres. Então, procurei nas minhas pastas os estudos que fiz, fotografei um deles e aqui está!
 A minha homenagem a Edgar Degas e às suas bailarinas!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

COROAS DE REI





( acrílico s/ cartolina 70x50)

As flores estão por aí!
Nos jardins, bem cuidadas
ou nas encostas rochosas ou nas bermas das estradas.
E como dão vida à vida!
Toda a flor é naturalmente bela,
desde a mais preciosa à mais singela.
Mas as coroas de rei
são mais do que belas, são altivas!
E olham-nos do alto do seu trono vertical
circundado de verde folhagem.
Abrem-se as flores em alvas e carnudas pétalas
salpicadas de rubis,
exibindo orgulhosas os longos estames
coroados de pólen carmim,
que se dispersa com a aragem nos dias primaveris.

 Maria Emília Moreira

terça-feira, 26 de março de 2013

GERÂNIO



( acrílico e pastel óleo s/ cartolina 65x50) rep


Gravado a acrílico e pastel
como quem cinzela
o granito,
o vaso rústico em papel,
evoca com pujança
a natureza floral
no seu grito de cor
e de seiva,
de linhas afiadas
como espadas,
de linhas redondas
vermelhas e macias
salpicadas de amor.
Todo o perfume da terra
se envolve sobre o suporte
delicado, com calor,
num belo quadro
sombreado,
onde se cruzam
infindáveis elementos
de sensual fulgor.



( foto  trabalhada no computador)

A quantos me honram com a vossa visita e amáveis comentários o meu abraço .
Farei uma breve paragem a partir de quinta-feira. Tanto eu com o meu computador, estamos com as"pilhas"gastas. 

UMA DOCE E ALEGRE PÁSCOA!

sexta-feira, 22 de março de 2013

POEMA PRIMAVERIL


 (acríliico s/ papel 61x41)


(pormenor do anterior)

Hoje, de manhãzinha,
Os pardais despertaram-me
Cantando no peitoril da janela
Odes de amor, numa euforia!
Tão grata lhes fiquei pela lembrança
Que em pétalas de rosa
Servi-lhes alimento – migalhas de poesia!

Hoje uma rola mansa
Poisou-me nos dedos
Como se de galhos de árvore se tratasse.
E a magnólia em frente
Desperta com a primeira folhagem verde
Particularmente mimosa e lança-as ao sol
À chuva, ao vento agreste –   tão receosa!
As flores sorriem no alto do seu trono
Vestido de azul e verde.
 E são tantas pelos campos fora
 Num delírio de arco-íris.

Pássaros e flores… uma duplicidade
Tão perfeita,
Pois que finalmente …depois de um Inverno sombrio,
A Primavera espreita!


(lápis de cera e aguarela s/ papel30x43)

Este  é um tema mil vezes glosado através dos tempos. Deixo um poema que tirei da gaveta, escrito na juventude (há quantos anos!) Nas pastas onde guardo muitos desenhos e pinturas, bem mais recentes,(1991 e seguintes), escolhi estes trabalhos um pouco "naifs" para acompanhar o poema.

sábado, 16 de março de 2013

NOITE SEM ESTRELAS




Ao cair da noite
estendo o lençol da preguiça
sobre a cama entreaberta.
Deixo que o meu corpo
se inunde da morna mansidão
da luz coada do candeeiro.
Como me aconchega a ternura
da chuva na vidraça!

É bom enroscar o corpo
e sentir as coxas sobre os seios,
abraçar as pernas dobradas,
o rosto a tocar os joelhos, em compressão.
Depois o desenrolar,
o distender o tronco,
os braços, as pernas,
os olhos cerrados a sentir, leve, a respiração.
Cubro-me com o lençol da preguiça
ao cair da noite.

Publicado no "jornal de Matosinhos"

domingo, 10 de março de 2013

VIAGEM SEM TEMPO





Hoje vou ter a estranha ousadia
de lançar-me desta minha Torre de Solidão
com coragem

Simplesmente com os braços abertos
o dorso curvado em arco e partir
em viagem

São tantos os segredos que a lua e o sol
me ensinaram nessa longa ida
foi com eles que aprendi
a inventar um corpo novo
e a sorrir para a vida

A  pintar de rubro todos os medronhos
de azul as noites baças de dor
de esperança a doença sem cor
e despertar num misto de lágrimas e sonhos

in  À Rédea Solta  de Maria Emília Costa Moreira

quinta-feira, 7 de março de 2013

AO JEITO DE EXORTAÇÃO


A minha homenagem a tanta mulher humilde do meu país, cuja vida foi um drama  terrível desde o nascimento até à morte...



                      
                 Ó mulher da minha terra
estás gasta e desfeita,
sedenta de ternura
pois a vida é dura
e os olhos e os ouvidos dos outros
se fecham à tua dor.
Estas farta de um trabalho
sempre igual e escravizante,
sem recompensa, sem elogio
e sentes na carne a fome, a sede, o frio
e estás só,
em casa, no campo, no rio.

Ó mulher da minha terra
de rosto duro empedernido,
de braços fortes, pernas rijas,
de ventre disforme e carne amolecida,
pois que vezes sem conta “andas de barriga”.
E o homem que dizes ser teu
e que nada tem de seu para te dar,
gasta no jogo, com” mulheres” e na taberna,
os magros tostões
com que a casa se governa.

Ó mulher da minha terra
estás só, esfarrapada e mísera,
sem dinheiro e sem carinho
e corroída pela tísica
e a sífilis e tudo o mais que existe
e que o “teu homem” te deu de presente.
És rica em filhos que deitas ao mundo
um em cada ano,
e sentes que a tua vida
foi feita de rude engano.
Mas persistes sem coragem para desfalecer,
até que um dia a morte
se lembre de te vir ver.

Ó mulher da minha terra
és resistente, pois enfrentas
o martírio da pobreza que é constante
e não tens coragem para dizer “Não”
aos que te exploram e oprimem.
És forte e trabalhas como um homem,
mas não te alimentas nem ganhas como tal.
Aí, então, deixas de ser sua igual,
passas a ser a fraca, a ser mulher.

Mulher criança
Menina mulher
Mulher mulher
Mulher e mãe

És tudo, encerras em ti
o que de mais belo a vida tem.

Ó mulher da minha terra
porque queres ignorar o teu valor,
porque consentes que te atirem à lama,
porque cruzas os braços,
porque calas a boca,
porque tapas os ouvidos,
porque cerras os dentes,
porque apertas os punhos
e aguentas?

Ó mulher da minha terra
acaso ignoras que é necessário lutar?
Que deves fazer a tua guerra?
Já basta de implorar.
Tens de conhecer os teus direitos
de mulher,
que a vida é preciso ser vivida
haja o que houver,
que a felicidade se constrói
lutando pela própria liberdade
e que só nela é possível
atingir a igualdade.

               Ó mulher da minha terra
deixa de ser a escrava,
a serva, a criada,
mulher para todo o serviço,
de permanecer na sombra, calada.
Anda, não fiques parada,
aprende a dizer “Não”
pois que a doutrina da mansidão,
da mulher objecto,
da mulher submissa,
já foi de há muito ultrapassada.
Tens de arrancar os véus da tua mente,
limpar as teias de aranha
e as patranhas religioso-supersticiosas
que te vêm impingindo
desde há séculos através da história.
Lança-as para trás,
deita-as fora.

Ó mulher da minha terra
acorda!
Sai desse sono incómodo e milenar,
desperta de uma hibernação patética,
dispõe-te a lutar.

Ó mulher da minha terra
luta por e para ti.
Ó mulher da minha terra
terei orgulho de ti!


Histórias verdadeiras que me foram relatadas pela minha mãe, outras que eu  própria conheci: jornaleiras( trabalhadoras rurais),peixeiras, leiteiras e lavadeiras, profissões típicas da aldeia onde nasci .
O poema foi escrito tinha eu 22 anos e guardei-o na gaveta. Por volta dos 35,dei-lhe uma revisão geral e voltou a hibernar...até hoje!