margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

ENGRENAGEM



(foto trabalhada no computador M.E.)rep.


Enjeito toda a forma de engrenagem
Para enrolar a vida,
Já de si tão tensa e confusa
Quanto apodrecida.

Repudio a falta de ética
Que rege tantas vidas
De gente que cada vez mais
Trepa patamares sem conta nem medida.

Recuso a vilania por aí instalada,
Onde uns têm tudo…outros nada,
Sendo triturados numa roda dentada.


domingo, 16 de junho de 2013

NO MAR


(técnica mista s/madeira -areia,papel,conchas,cola, verniz e acrílico- 42x54) rep

Sei duma gruta entre os rochedos,
grande, funda e bela.
Sei duma gruta de águas límpidas
e frescas e só eu sei dela.

Sei que está cheia de cor
verde-alga, castanho-sargaço,
de ouriços roxos,
estrelas vermelhas, rosas e amarelas.

Sei de anémonas belíssimas e finas,
e de tufos castanhos e longos
como crinas,
flutuando ao sabor da corrente.

Sei de limos viçosos
e de peixinhos minúsculos e vistosos
dançando suavemente.

Sei de conchas de nácar
e de búzios perfeitos,
rosados, brancos, pintalgados de negro,
e de grandes grutas nos rochedos.

Sei,
sei mas não digo,
para que ninguém conspurque
este paraíso!

in  "À   Rédea Solta - Edium Editores

 
(pormenor do mesmo  quadro )

domingo, 9 de junho de 2013

IMENSIDÃO



Retorno ao cabo
onde o vento canta
áreas de sonho
na  falésia a pino


Regresso ao mar
que com exaltação
e na fantástica cupidez
do seu destino
banha as rochas negras douradas e nuas

         as beija
         as acaricia
         as perfura
         as tritura
e as sente voluptuosamente suas


Eis-me junto ao farol
cujo perfil firme
altivo e estático na sua solidão

       rasga nuvens
       descobre céus
       alumia mares
       desafia tempestades
num imenso hino de fraterna comunhão



in " À Rédea Solta"  Edium  Editores




segunda-feira, 3 de junho de 2013

PESSIMISMO





Duvido deste mundo
com valores em queda
acentuada.
Duvido que chegue a paz
tão longamente urdida
e negociada.
Duvido do querer de muitos
dos homens que governam.
Duvido das suas palavras
tão mansas quanto ternas.
Duvido de muitos que pedem
em nome dos pobres.
Duvido que não vão cinicamente
aumentando os seus cobres.
Duvido das palavras saídas da boca
de muita gente: amor ao próximo,
solidariedade.
Duvido que se trabalhe
em prol da igualdade.
Duvido, duvido, duvido!
Com raiva a tudo o que machuca.
Duvido que a face da terra
se livre, deste lixo que a conspurca!

domingo, 26 de maio de 2013

INSTANTES



(pastel óleo e aguarela s/ papel 48x 35) Rep.


Olhar o mar
cheio de brancas velas
a pincelar de luz
o horizonte azul

Silenciar a tarde
na procura da palavra exacta
para selar
estes viscosos instantes
impregnados da quentura solar
e do beijo refrescado
pelo vidro das águas

Pastorear a alma
enxameada pela solidão
no fundo das noites salpicadas
de estrelas

Desfalecer na fugaz labareda
com as mãos de pássaro
sobre o corpo tenso
e aceitar a partida sem regresso
na espiral do tempo 


segunda-feira, 20 de maio de 2013

A MINHA PREFERIDA É...

I

II

III

IV

V

VI

VII

VIII

IX

X

Hoje não há poesia escrita!
Hoje há poesia em imagens!
Já mostrei anteriormente outras  experiências com fotografias transformadas.
É uma forma lúdica de esquecer-me da crise e das "caras de songa-monga" destes "desgovernantes!
É também uma forma de ultrapassar as minhas angústias e os achaques próprios da idade "sexy", isto é, da ternura dos sessenta e sete!!!

Ora apreciem!
A última imagem, tão sem graça...esteve na origem das nove anteriores.
Digam de vossa justiça!

A minha preferida é...

Obrigada a todos quantos me visitam e deixam um comentário.

terça-feira, 7 de maio de 2013

ONDE SE ESCONDEM OS POEMAS?




Onde se escondem os poemas?
Talvez no avesso das palavras
Douradas de sol.

Onde se escondem os poemas?
Talvez nos pântanos de sonho
Enfeitados de lírios.

Onde se escondem os poemas?
Talvez nas pedras onde jorram olhos
De água cristalina.

Onde se escondem os poemas?
Talvez no pó da terra lavrada
Ressequida pelo vento.

Onde se escondem os poemas?
Talvez na toca silenciosa do meu peito,
Quando desabrocham dias enfeitados
De flamingos rosa,
Nas noites luarentas
Em que bebo as estrelas
Sob os lençóis de prata em que me deito.

in  "À Rédea Solta" Maria Emília Costa Moreira
edium editores  (rep.)