Foto - Leça da Palmeira
Deixo correr as horas e os dias
neste embalo de sonho feito de
nada.
Se eu pudesse iluminar as minhas
noites
de solidão com as palavras que
não disse,
com o afago que não fiz…
Se eu pudesse esquecer o beijo
que não demos…
o mel dos teus olhos derretidos…
e as magras perguntas e respostas
que trocámos
com fingida indiferença…
Recordo os encontros e
desencontros
nas voltas compassadas.
Um calor de braseiro no rosto
que me descia ao corpo.
As mãos húmidas de vidro,
tal como os nossos olhos
onde espelhava o lume.
No silêncio comprido da noite
de ontem, de hoje, de amanhã,
sinto a fragrância do teu corpo a
envolver-me
e, perco-me em sonoridades de pura
fantasia.
Ah! Como eu lamento não termos
desatado
os laços da nossa cobardia!
Os meus poemas (rep.)












