margaridas

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SER VERTICAL

Ser antes de tudo

o que se quer.

Não parecer o que se não é.

Ser afinal cada qual

quem é.

Ser sempre o que se deve ser.

Vertical.

Inteiro.

De pé.

Maria Emília Costa Moreira

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

SAGRES










Sagres desassossegou-me o coração!
Neste mítico lugar
onde as aves marinhas são mais serenas a riscar o azul,
onde a terra se quebra abruptamente
e o mar se perde de vista,
embriaguei-me de azul!
Contemplei a imensidão…
Daqui partiu um impulso aventureiro a desfraldar muito mundo.
Respirei fundo, interiorizando a beleza dos penhascos
abraçados pelas alvas rendas das ondas.
Espreitei o oceano límpido e brilhante
neste Novembro sereno,
em que os meus cinco sentidos romperam todas as amarras.

Em Sagres as memórias fazem-me navegar!
Súbito, no promontório uma brecha escura, assustadora e funda.
Nada se vislumbra deste lugar, e caminho em redor, a esperança me anima.
Lá ao longe abre-se uma janela de espanto
azul líquido, luminoso e sorridente
que me olha assim, deste modo…alegremente!

Sagres! Versos que eu faça nada valem!
Sem a força telúrica nem a claridade do mar.
Sagres! Como te sinto em mim,
e não te sei cantar!                                                              

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CANTEMOS, ROSA!




As rosas vermelho-sangue
pedem-me que sorria,
apesar do sopro gélido
que me transtorna o coração.
Belas meninas
em  seu trono-caule
perfumando o ar.
Também elas, sem um ai,
se esfumarão ao sol de inverno
e à geada agreste
que sorrateiramente desce dos céus.
Cantemos com os pássaros distraídos
a mesma canção do adeus!


Os meus Poemas

sábado, 9 de novembro de 2013

JARRÃO COM FLORES




Sejam bem-vindos!
Vou fazer uma pequena pausa  para rumar a sul à procura de sol.
Irei "algarviar "uma semana.
Deixo-vos um trabalho meu de fotografia.
Obrigada pela companhia e pelos comentários. 

BLOG EM PAUSA!

sábado, 2 de novembro de 2013

LAMENTO



 Foto -  Leça da Palmeira

Deixo correr as horas e os dias
neste embalo de sonho feito de nada.

Se eu pudesse iluminar as minhas noites
de solidão com as palavras que não disse,
com o afago que não fiz…

Se eu pudesse esquecer o beijo que não demos…
o mel dos teus olhos derretidos…
e as magras perguntas e respostas
que trocámos
com fingida indiferença…

Recordo os encontros e desencontros
nas voltas compassadas.
Um calor de braseiro no rosto
que me descia ao corpo.
As mãos húmidas de vidro,
tal como os nossos olhos
onde espelhava o lume.

No silêncio comprido da noite
de ontem, de hoje, de amanhã,
sinto a fragrância do teu corpo a envolver-me
e, perco-me em sonoridades de pura fantasia.
Ah! Como eu lamento não termos desatado
os laços da nossa cobardia! 

Os meus poemas (rep.)

  

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OLHOS D' ÁGUA



Andava como um navio
bailando em maré viva,
e fitava altivo o azul
num jeito tão firme de olhar…
Por vezes mudava o cor desse fitar,
ora em azul de mar e céu
ora em cinza de tempestade.

Cresceram-lhe pestanas de musgo,
de tantas lágrimas vertidas
nas muitas despedidas.
Do sorriso vermelho,
trémulo e doce como ambrósia,
ia aspergindo um perfume
de flores do campo ligado à maresia.

Poisaram-se-lhe açucenas nos cabelos
e o vento desprendia-os em fio.
Até que o corpo em balanço
se inclinava à terra,
sulcado por sóis e por luas
e crestado no mar salgado do destino,
agora longe de sereias…seminuas.

 In  À Rédea Solta - edium editores  (rep.)


domingo, 6 de outubro de 2013

FLOR BAILARINA



(acrílico s/ tela 70x50)


(pormenor)

PALCO DA VIDA



A flor-bailarina
Como tanta flor-menina
Atreveu-se a sonhar!

Voos altos…
Sonhados com sobressaltos
Que a vida sempre ofertou.

E a flor-menina pintou
Despudoradamente
E chorou pétalas de doçura…
E a flor-menina sorriu
Do mesmo modo ao amor e à amargura.

E a vida sempre a passar…
Os sonhos…bailarina…pianista…cantora…
Esses…a flor-menina não pôde concretizar!

Rio da Fonte, 6/10/13

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

FIM DE TARDE




Até que subitamente o sol se foi
As serras permanecem devoradas pelas brumas

E como cordas ininterruptas a chuva cai
em violinos que começam a tocar a canção
melodiosa e ritmada do fim de Verão

Com lágrimas coloridas de saudades
os cabelos das árvores ficam ainda mais verdes

Os pássaros espantados tontos e fartos de cantar
são ouriços frenéticos num constante esvoaçar

Até as flores abrem as asas e voam
desfeitas em pétalas frescas e airosas

As maçãs vermelhas cheiram com espanto
nos olhos tamanhos as sebes de rosas

Por  instantes o sol sorri amarelento
As cores do arco-íris abrem-se como uma bandeira
entre o céu a serra e a ribeira
numa dança infinitamente breve e derradeira

 "in POIESIS Editorial Minerva