
Será feliz a flor num jardim que ninguém olha?
Será alegre o pássaro solitário que canta no seu ninho?
Será livre o bater das ondas sobre as rochas?
Será terna a luz que nos ilumina o caminho?
Será a paz uma palavra com rosto, já desfigurada?
Prematuramente definhará a flor não cuidada.
O pássaro desertará se conspurcado o ninho.
As ondas afogarão tanta lágrima salgada.
A luz, pepitas de ouro, fundir-se-á no cadinho.
E a paz, ó humana criatura!
Quem dera que não fosse incessantemente profanada.
Rio da Fonte, 7 de Março de 2004
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